domingo, 3 de junho de 2007

Volúpia

Violeta Teixeira



Volúpia



No divino impudor da mocidade,

Nesse êxtase pagão que vence a sorte,

Num frémito vibrante de ansiedade,

Dou-te o meu corpo prometido à morte!





A sombra entre a mentira e a verdade...

A núvem que arrastou o vento norte...

--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:

Meus beijos de volúpia e de maldade!





Trago dálias vermelhas no regaço...

São os dedos do sol quando te abraço,

Cravados no teu peito como lanças!





E do meu corpo os leves arabescos

Vão-te envolvendo em círculos dantescos

Felinamente, em voluptuosas danças...





Florbela Espanca

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