quinta-feira, 10 de maio de 2007

ALDA MERINI

Em 1947, começara a sentir as primeiras manifestações de uma doença que a levaria a 20 anos de silêncio poético e a vários internamentos em clínicas e hospitais psiquiátricos. Após o nascimento de sua primeira filha em 1955, Alda foi internada no manicómio Paolo Pini, o qual viria a abandonar apenas em 1972.



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OS VERSOS SÃO POEIRA FECHADA


Os versos são poeira fechada
de um meu tormento de amor,
mas lá fora o ar é correcto,
instável e doce e o sol
fala-te de caras promessas,
por isso quando escrevo
afundo a cabeça na poeira
e desejo o vento, o sol,
e a minha pele de mulher
contra a pele de um homem.

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(tradução de Clara Rowland)


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